Relacionamentos e Família

Crescendo como pais

O vínculo com os filhos também nos convida a olhar para nossas dores e a cultivar presença, amor e alegria.

Texto de Mateus Santos · 2023

Vínculos que atravessam as gerações de uma família

Os filhos têm um amor imenso pelos pais. Muito grande. Com esse amor existe uma ligação, um vínculo que começa com a mãe no momento da concepção e, com o pai, durante a gravidez e após o parto.

Esse amor gera uma relação em que os filhos começam a perceber os pais. Essa percepção vai além do que os pais mostram: eles conseguem captar o ânimo dos pais, por exemplo, se estão tristes.

A tristeza pode gerar um padrão de isolamento. Às vezes, a pessoa nem percebe que se distancia das relações. Sai da presença. Mesmo presente fisicamente, está recolhida.

Tudo isso é captado pelos filhos. Eles sentem o vazio e, mesmo inconscientemente, percebem um risco na relação. Então começam a ter atitudes para preencher esse vazio e chamar a atenção dos pais. Em alguns casos, querem salvar os pais daquelas emoções.

É nesse momento que pode começar um emaranhamento. Sem perceber, a criança se esforça para trazer alegria, para ser boa o suficiente. Há casos em que começa a puxar a sensação de tristeza para si, porque olha para onde está o amor dos pais.

Qual é a solução?

Crescermos como pais. Termos coragem de olhar para nossas dores e aprendermos a sustentar a alegria dentro de nós. Sustentarmos a alegria e o amor e os transmitirmos aos nossos filhos.

Assim, eles ficam livres para crescer e encontrar a alegria que faz crescer, a alegria que libera movimentos para além dos emaranhamentos e nós familiares.

Nossos filhos, livres, ficam felizes; e nós ficamos ainda mais felizes, criando um ciclo virtuoso de crescimento e iluminação da família.